sábado, 4 de fevereiro de 2012

    
 
It's you, it's you, it's all for you
Everything I do, I tell you all the time
Heaven is a place on earth with you
Tell me all the things you want to do
I heard that you like the bad girls
Honey, is that true?
It's better than I ever even knew
They say that the world was built for two
Only worth living if somebody is loving you
Baby, now you do.
  
   
Sou uma pessoa que gosta de demonstrações de carinho, infelizmente.
  
 
 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

 
A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.
Vinicius de Moraes




Quem me conhece, sabe que este desporto muda-me sempre o humor. Só eu sei o que vibro com cada jogada, com cada jogo ganho, cada jogo perdido. Com cada bola que resvala na rede e que pode cair para o lado do adversário, ganhando-se o ponto, ou pode inverter o movimento e tocar no nosso campo, perdendo. (Aconselho a ver o filme Match Point, se querem saber o que é, na realidade, a sorte no quotidiano).
Há pessoas que ficam felizes a ver o seu filme preferido, a ver jogos de futebol, a fazer o seu passatempo predileto...
Eu sou feliz com jogadas de força, garra, determinação, ambição, paciência, táctica e sorte. Sou eu.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012



Know you've been hurt by someone else.
I can tell by the way you carry yourself.
If you let me, here's what I'll do:
I'll take care of you.
I've loved and I've lost.

Drake Ft Rihanna- Take care










Já ouvi dizer que as palavras são a nossa inesgotável fonte de magia. Encantam, fascinam, deslumbram, deliciam... Mas também derrotam, desencorajam, destroem. Engraçado. "De-". Porque não ocultar estas últimas e substitui-las por desenvolver, devolver ou demonstrar?
Tal como a magia, as palavras também têm o seu lado negro. Quem não as souber usar, cai nesse poço em que eu não ouso sequer olhar. Um poço que não se avista o fundo, mas que termina, lá onde se ouve um ecoar de uma voz perdida numa imensidão e cuja velocidade é lenta para chegar a uns ouvidos atentos. Esperemos. Não, reparemos. Será a velocidade que é lenta ou será a queda maior do que a que se suspeita? Não me atrevo a imaginar. Tenho outra hipótese: poderá a velocidade ser afetada pela falta de garra e valentia nas palavras proferidas por alguém num poço? É fácil ir ao fundo, difícil é chegar intacto à superfície, tal como num dia de tempestade é possível fazer comunicações, mas estas apresentam interferências.
Na superfície o coração é quem fala. Não é o cérebro. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Quem fala com o coração, sabe o que quer e pode não saber para onde as suas palavras o levarão, mas sabe por onde o levarão. Quem fala com o coração, confia. Magicamente, tem uma poção secreta que revela os ingredientes necessários para saber confiar: amor, paciência, sensatez, cumplicidade, verdade, lealdade, otimismo. Quais as doses necessárias? Depende de cada um. Mas se os ouvidos atentos ouvirem a voz de quem está no fundo do poço, é a altura certa de tomar essa poção e verter uma gota para o escuro. Certamente, o som dessa gota será o despertar de uma aurora que fará o longe tornar-se perto.
Agora diz-me: a nossa inesgotável fonte de magia pode ser o amor?

 

domingo, 22 de janeiro de 2012



Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

in Tabacaria, Álvaro de Campos.











Há noites que pedem um luar que reflita num lago todas as sensações despoletadas por uma pedra arremessada sabe-se lá de onde, sabe-se lá por quem, sabe-se lá porquê, só se sabe que desencadeou círculos hidrológicos que impossibilitam o seguimento natural da corrente e não deixam expandir os reflexos pretendidos.
Os círculos aumentam a sua área. Eis então que se inspira e pergunta-se à lua quantas fases esses círculos terão que passar para atingir o seu esplendor, a sua magnificiência, a sua plenitude, atingir aquele círculo perfeito que pode parecer limitador da acção, mas na verdade tem as medidas certas para dar a estabilidade necessária. Invejo, lua, quem sabe com exatidão o que se passa no interior das pessoas. Quem salta os muros de água criados pela pedra e é capaz de impedir que essa mesma pedra atinja o epicentro previsto e não leve a uma convergência de círculos. Tenho medo, lua. Medo que desapareças do meu horizonte e as sensações fiquem aprisionadas em mim. Não sabes como é perigoso deambular pela noite sem ti, sem saber o que hei de encontrar ao virar de uma esquina, ao olhar para trás e não ver a minha sombra que é tua. Não sabes, lua.
Não me quero encontrar com quem. Só contigo. Sei que não me vais falar, mas mostra-me o que sentes. Irradia-me a tua luz e faz com que a tua gravidade altere a trajetória de qualquer pedra que ouse entrar no teu domínio. No nosso domínio. Tomara muitos sóis serem o centro que tu és da minha galáxia. Melhor: do meu universo.


 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012




Pick a star on the dark horizon and follow the light.






Relembro, nesta apaziguada noite de vendaval ártico, um leve toque.
Tic-tac, tic-tac, badaladas.
Ouço passos, vozes indefinidas.
Perco-me nesse timbre, desoriento-me com melindrosa melodia.
Silêncio.
Que orquestra magistral.
Escuro, silêncio.
Sensação de calor nula.

E agora? Quem sou?
Sei que sou tudo aquilo que fui e tudo o que não fui.

Vivo na minha memória,
na esperança de, um dia,
numa determinada altura, única e interminável,
voltar a relembrar, num certa apaziguada noite de vendaval ártico, um leve toque.
E escutar um tic-tac, badaladas, passos e vozes.

Aí saberei que não verei nada próximo,
Mas sentirei uma luz perdida que paira no oceano do que não fui.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

 

Contrabalançai promessas com promessas
e estareis a pesar o nada.

in Sonho de uma noite de Verão, William Shakespeare









Uma mão procura outra, no meio de dúzias delas. Encontrará? Dez dedos veêm-se entrelaçados no meio de centenas deles. Quatro pés levam dez dedos unidos por dois corações. Cento e sessenta batimentos cardíacos por minuto acompanham uma orquestra estrondosamente discreta. Dezenas de passos dados e os dedos não se deslizaram nem um milímetro. Encontrões, empurrões. Eis a multidão a emergir. As mãos continuam como se encontraram. Amontoamento cada vez maior. Quatro pés levam dois dedos unidos por duas mentes. Amontoamento sufocante, influenciável. Quatro pés deixaram de levar dois dedos unidos. Dois pés fogem do amontoamento, outros dois pés penetram nesse mesmo amontoamento; ouve-se a melodia nostálgica de oitenta batimentos cardíacos. Cruzam-se dois olhares, mas um desvia-se de imediato.
Que significará isso?
Duas mãos procuram outras, no meio de dúzias delas.
 
 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Aprensento, a quem ainda não conhece, um dos melhores poemas (para mim) de Ricardo Reis.
Uma filosofia de vida que em muitos momentos, talvez nestes exactos momentos que o poema relata, faz bastante sentido.




Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)


Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.


Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.


Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.


Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o.


Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
Pagãos inocentes da decadência.

 
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
Nem fomos mais do que crianças.


E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço.