sexta-feira, 23 de novembro de 2012

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

  

   

A memória é algo que pode ser considerado o bem mais precioso do Homem. É através dela que buscamos a nossa integridade, a nossa estabilidade, as respostas ou quase respostas aos inúmeros enigmas da nossa vida, a nossa enigmática vida.
Não há preço para ela. É a nossa identidade, um puzzle de fotografias e gravações de palavras, momentos, sensações... Nela buscamos o conforto de um tesouro perdido no tempo. Que ironia, um tesouro guardado no maior tesouro do Homem. É uma arca que, quando aberta, nos liberta. Mas também nos prende. Recorda, mas provoca saudosismo. Anseia, mas entristece. Guarda, mas corrói. Tanto é a nossa melhor amiga como também o pior pesadelo que podemos viver. Um pesadelo que nos leva ao campo da nostalgia, do querer e não poder, do voar sem ter asas, da alegria triste de um oásis num deserto.
A memória comanda a vida da gente. Sem ela, quem somos? Em que mundo vivemos? Quem nos rodeia? O que é a vida? É nela que criamos um sentido para a vida. E até pode ser aos olhos de muitos o sentido errado, mas quando a memória se alia ao coração, o errado é o certo.


P.s.: Eu ainda te vou levar à América... Como prometi.


domingo, 7 de outubro de 2012








Antes de adormecer crio uma expectativa de que, talvez, quando acordar, verei uma mensagem tua a dizer que estarás de volta. E imagino. Divago. Recrio. Não me canso. Todos os dias. Todos os dias olho para o muro da paragem em frente a minha casa para ver-te lá, sentada, aguardando a minha saída. Mas não estás. Baixo, então, a cabeça rumo a mais um dia banal. E recordo os planos perdidos, as promessas quebradas, a vida esquecida. Onde estarás? Encontra-me. Sabes o caminho. Entrei no comboio. Logo, quando regressar, espero encontrar-te ali sorrindo como só tu sorrias. Caso não te encontre, sei que, antes de adormecer, te imaginarei novamente. E sonharei novamente. E sentirei novamente, como sentia cada vez que estávamos juntos. Sentíamos. Sentíamos...


P.s.: Eu ainda te vou levar à América... Como te prometi.


  
 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012









Lembras-te quando estávamos deitados à beira mar e tudo parecia ser nosso como eu ser teu e tu seres minha? Eu amei-te nesse dia. Eu amo essa memória. Eu amá-la-ei até ao fim dos dias.

Não importa quantas vagas de ondas venham: as pedras mais pesadas não cederão. Não importa quanto vento possa estar: as pedras mais pesadas permanecerão intactas. Não importa que a maré as venha a cobrir na preia-mar: as pedras continuarão lá... Tal como a sensação do meu corpo aconchegado no teu, as nossas mãos entrelaçadas, os sorrisos roubados, o tempo perdido que na verdade foi um ganho para ambos. Foi tudo um certo errado turbilhão de emoções e sensações que não soubemos identificar, mas que ambos sabemos ser algo inolvidável. Ambos sabemos que vislumbramos a felicidade no horizonte. Ambos vimos o mundo com outros olhos: os olhos de quem não está só no mundo. Quatro olhos, um só olhar.
Se, um dia, vires que o mar será mais forte do que a resistência das pedras, acredita: eu já as terei guardado no meu castelo de areia.



P.s.: Eu ainda te vou levar à América... Como prometi.

sábado, 21 de julho de 2012



Um até já a um amor:




Por muito que chore, por muito que me roa por dentro, orgulho-me em dizer que esta experiência contigo foi enriquecedora. Talvez por teres retribuído o carinho de uma maneira única e que parecia ser tão tua, tão autêntica.
O sentimento pode não ter existido (da tua parte), mas as palavras jamais se gastarão. Não haverá um adeus, haverá um até já. Porque acredito que, não no imediato, consigamos estabelecer uma relação suportada por boas memórias, tendo apenas como ferida o prazo fora de validade. Choro ao escrever isto, aperta-me o coração, mas não te apagarei da minha vida. Porque quem um dia nos fez sorrir de verdade, merece ser lembrado. O coração chora, mas o teu nome está tatuado na sua parede e resistirá à passagem do tempo. Ainda que um dia mal se possa distinguir, haverá sempre uma marca única.
Espero, muito sinceramente, um dia destes voltar a ver a razão que me deixou feliz. E aí, falar sem ter em conta o que se teve. Somente eu e tu, não eu contigo nem tu comigo. Aparentemente parece ser complicado para mim, para ti, mas acredita que com vontade e cabeça no lugar, tudo se consegue.
Não me despeço de ti, porque a nossa despedida está marcada para a hora de ir para outro mundo. Enquanto vivermos, estaremos atados por laços invisíveis, e sei que teremos reencontros e aí despedimo-nos, mas sempre com a ideia de que não será a última despedida.
Espero notícias tuas e não te guardo qualquer tipo de "mau sentimento", apenas uma tristeza natura que se espera ser passageira.



sexta-feira, 22 de junho de 2012















Hoje já não te conheço. Somos estranhos com memórias felizes. São só elas que fazem com que tenhamos algo em comum: um passado feliz.
Quem disse "E viveram felizes para sempre" mentiu. Ninguém é verdadeiramente feliz, ninguém pode afirmar "Eu sou feliz", mas também ninguém pode dizer "Eu não sou feliz". Ninguém é feliz, mas todos procuramos saber o que é a felicidade. Podemos ter rasgos dela como um dia nublado em que o sol, inesperadamente, penetra por entre as nuvens: por alguém que está ao nosso lado e nos faz sorrir, uma surpresa, um dia bom, um gesto, uma palavra. Mas, tal como o sol que desaparece por força das nuvens, também o que foi bom hoje, amanhã, na próxima semana, no próximo mês, tudo o que de bom foi vivido hoje, não perdura para a eternidade e transforma-se numa lembrança.
Hoje já não te conheço. Só me lembro de ti. "Onde estás? Como te sentes? Que tal o teu dia?", perguntas idiotas que hoje, dia em que não te conheço, só podem ser respondidas pela minha memória. É triste lembrar que te conheci. É triste imaginar que, hoje, as respostas, talvez, já não serão as mesmas.
Que ironia o processo de conhecer na perfeição uma pessoa, cada detalhe, cada momento, cada próximo passo que essa pessoa iria tomar e, hoje, essa pessoa ser uma desconhecida, nem sequer sabendo o paradeiro dela. Consideras-te feliz? Pensa no agora e amanhã já nada será igual.

 

domingo, 3 de junho de 2012







Há dias que o mundo nem sempre roda em função da nossa força de vontade. Simplesmente pára. Ou então roda numa velocidade tal que nem permite captar momentos que só poderão persistir na memória de cada um. Momentos surreais e tocantes, curtos e inesquecíveis.
Parou. Opta-se por rebobinar e procurar uma chama que dê para restabelecer a energia que possibilite voltar a rodar e a vida seguir, ou então parar como um lago que se congela no pico do Inverno e não há maneira de ver a superfície? Talvez o melhor até possa ser caminhar por cima dessa água gelada e a cada estilhaçar ver divisões de um coração que vive de momentos, que se alimenta de sensações e bate por cada memória feliz. Aí sim, talvez se encontre verdadeiramente a alma. Ela pode não fazer rodar o mundo, mas consegue levar-nos a outro mundo.